Segunda carta ao inferno
Inferno, 30 de maio de 1964 Segunda carta que eu escrevo, e pouparei os comprimentos. Dessa vez não escrevo por conta do tédio, mas sim da insônia. Tive insônia a vida toda, jurava que depois de morto isso não ia acontecer mais. Como sempre, errei. Mas vamos para a parte importante. Hoje fiz uma descoberta aqui em baixo. Mas antes direi o contexto. Assim que notei que estava vindo para o inferno, um desejo, que antes era impossível de ser realizado, saltou da parte mais profunda do meu inconsciente. Pensei exatamente assim: “Vou conhecer o homem no qual eu li tantos livros falando sobre. Conhecerei Virgulino. Conhecerei Lampião”. Admito que fiquei animado, mas também admito que fiquei com medo da probabilidade de encontrar o Rei do Cangaço. Depois de um tempo aqui, considero que já tenho intimidade para perguntar sobre determinadas pessoas. Hoje, durante o lanche, ou o banho de sol, não sei como devo chamar, perguntei a mesma alma que me esclareceu quanto aos lat...