Eternos nativos
Dedico esse texto ao Ailton Krenak, líder indígena,
ambientalista e escritor brasileiro. Dedico a ele pois por conta de uma de suas
entrevistas, para ser mais exato, a que ele deu no programa “Provocações”, tive
a curiosidade de pesquisar sobre a situação do índio no Brasil.
A um tempo atrás li um livro chamado “O tupi que você fala”,
não lembro-me o escritor, perdão. O livro infantil falava sobre a influência do
tupi no nosso cotidiano, e no final do livro havia a seguinte frase “Descubra o
indiozinho que vive dentro de você”.
Abro parênteses. Sim, leio livros infantis. Tiro algumas das
minhas ideias deles, se querem saber. Ah, me lembrei do nome do escritor. O
nome do escritor é Claudio Fragata. Fecho parênteses.
E após ler a frase, pensei “Nós temos tantos costumes
indígenas. Então porque não respeitamos os nativos da terra?”. Disse nativos da
terra, pois é assim que eles preferem ser chamados. De volta ao tema. E para
quem duvida desses costumes vou citar alguns: Nós andamos descalços, comemos
farinha de mandioca, caju, abacaxi e maracujá, e além disso, tomamos um ou dois
banhos todos os dias e muitas outras coisas rotineiras.
Neste paragrafo vou colocar um dos costumes em destaque. Ah,
tomar banho todos os dias, algo que é tão amado pelos brasileiros, é puramente
um costume indígena. Nunca fiquei tão feliz em não termos puxado um costume dos
nossos colonizadores europeus. Apenas imagine, nós, no Brasil, país que tem
esse nome que tanto lembra a palavra brasa, tomando um banho em três ou quatro
dias.
Voltando. E para quem duvida que desrespeitamos os índios,
vou citar algumas coisas que nós, estou nos generalizando em “homens brancos”,
fazemos: o Brasil está em 1° lugar da América quanto ao genocídio de índios, os
temas como marcação e remarcação de terras indígenas ainda são polêmicos, e
além disso, muitas pessoas, inclusive o nosso presidente, insistem em dizer que
o índio é preguiçoso pelo fato de não entender o modo de vida dele. A repetição
no 4° e nesse parágrafo é proposital, perdoem-me pela licença poética mas gosto
de usa-la em boa parte dos meus textos.
Não consigo explicar o porquê do Brasileiro negar tanto suas
origens, não só a indígena mas a africana também, então não vou me prolongar
muito no assunto. Mas eu espero que com o tempo o brasileiro entenda o que é
ser brasileiro, e a delícia que é entender e respeitar suas origens quase que
de forma completa.
Termino o texto com o mesmo número de linhas que as questões
indígenas tem nos jornais, ou seja, quase nenhuma. Liberte o indiozinho que tem
dentro de você.

Curto e sábio, parabéns !
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