Bons atores


Começo o texto falando que algumas ideias não entram na nossa cabeça, elas apenas invadem. E o texto de hoje saiu, basicamente, da invasão de uma ideia. Claro que eu tive de pensar no assunto, na realidade, pensei muito, porque não sabia como que eu a transformaria em um dos meus escritos. Falarei a ideia no próximo parágrafo, pois, como vocês sabem, morro de medo do parágrafo ficar muito extenso.
A ideia veio em forma de frase: “Os políticos atuam melhor que muitos atores”. Sim, eu sei que todos sabem disso, mas como dizia Nelson Rodrigues, o vidente sempre fala o obvio. E se ele fala, eu também posso. Mas vamos a ideia, até porque já estou enrolando muito.
Sempre quis ter duas profissões, uma delas era ser ator, e a outra era ser político. Nunca entendi o que havia em comum nas duas profissões, e depois de muito pensar a frase veio à minha cabeça. Muitos políticos atuam melhor que muitos atores. Ser político, desde os primórdios da democracia até a atualidade, é usar o tom de voz na forma certa, fazer as melhores carretas, usar bem o corpo, e muito mais. Basicamente, tudo o que é necessário para ser um bom ator.
Porém, eu queria escrever sobre o assunto mas não tinha um fato que “comprovasse” minha tese. Mas o destino é lindo, e eu fui convidado para um evento, para ser exato, a festa de formatura da EJA, Educação de Jovens e Adultos, e com o um fato ocorrido na festa eu tive a certeza de que eu estava certo.
Mas antes de contar o fato em si, contarei o que aconteceu antes. Não sei se vocês, caros leitores, se lembram, mas eu fui em uma exposição da EJA a pouco tempo atrás. Fui e voltei apaixonado, pelo projeto e pela ideia da exposição, e poucos dias depois um dos funcionários da prefeitura, daqueles que tem um dos cargos mais altos, pediu que a exposição fosse desmontada e montada em outro local.
Abro parênteses. Local que não seria de fácil acesso como o corredor do teatro no qual a exposição estava montada, mas tudo bem. Fecho parênteses.
E o pior, sabem o porquê a exposição foi tirada? Foi tirada por pedido dos banqueiros, porque eles teriam que expor no local. Tudo bem que eu não me impressiono. O dinheiro é mais valorizado que a educação no Brasil, quem dirá da cultura. Como uma amiga minha diz: “A luta continua”.
Agora ao fato que aconteceu durante a formatura. Sabem o mesmo funcionário que mandou tirar a exposição? Discursou a favor da Educação de Jovens e Adultos, fez a social com boa parte das pessoas do evento. Se eu não soubesse da história diria “Um santo”. Se bem que eu acho que um santo não conseguiria ser político, um dos primeiros parâmetros é ter uma porcentagem de pulha. Que encenação, que show, se eu fosse um crítico teatral daria uma ótima nota apenas pela atuação.
Por fim, vou confessar algo. Sempre quis ser ator, e acabei de inventar essa história. Agora acredite quem quiser.

(Para quem não sabe sobre a exposição leia “Mudança de planos”)

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